Fileteado

Fileteado

Das duas vezes que visitei Buenos Aires, quase enlouqueci com os artesanatos e lojinhas da feira de San Telmo. Mas o que sempre me chamou muito a atenção foram aquelas plaquinhas, de vários tamanhos e cores, decorativas, que tinham as mesmas tipografias e ornamentos que apareciam em alguns ônibus públicos que circulavam pela cidade. Depois comecei a vê-las por todo lado, em vitrines, em quadrinhos nas paredes, ficava sempre encantada. Entrei em uma das livrarias do centro e encontrei o livro do Alfredo Genovese à venda, com diversas aplicações de fileteado em materiais diferentes, carros, instrumentos musicais, e até mesmo tatuagens.

Conversando com um amigo que veio passar o ano novo por aqui, comentei que apesar de todo o interesse atual do design voltado para a caligrafia, eu ainda preferiria treinar um estilo mais decorativo como o do fileteado. Assim que voltamos do fim de ano, 3 dias depois, recebo um e-mail dele avisando que Alfredo estaria ministrando um workshop aqui em São Paulo, em março. Me inscrevi prontamente.

O fileteado é uma arte popular argentina do século XX, que foi aplicada inicialmente em fábricas de carros, e se transformou em um grande símbolo cultural de Buenos Aires. Estou super ansiosa pelo workshop!

Imagem do topo por Mandynga.
Outras imagens do site do artista.

Michelle Kingdom

Michelle Kingdom

Fussando a Hi-Fructose Magazine, cruzei com esses bordados lindos da artista americana Michelle Kingdom. O mais legal foi ver no flickr dela o quanto as pinturas se parecem com os bordados (e ali mesmo ela documenta todo o processo criativo, dos roughs aos resultados finais, e até o avesso do bordado). Um delicioso cruzamento entre artesanato e artes plásticas.

No site, ela explica:
“Symbolism and allegory lay bare dynamics of aspiration and limitation, expectation and loss, belonging and alienation, truth and illusion.”

Sonia Delaunay na Tate Modern Galery

Sonia Delaunay na Tate Modern Galery

Está rolando esta exposição maravilhosa na Tate Modern Galery com a obra da artista plástica e estilista Sonia Delaunay. Se por lá estivesse, com certeza compareceria. Enquanto passo vontade por aqui e espero que alguém traga esta maravilhosa exposição, segue um review (em inglês) com um excelente resumo das suas realizações – “a mulher que fez as cores dançarem”. Estudei sobre ela em história do Design Gráfico, uma das boas referências do início da arte moderna e como estilista art-decô.

Imagem: Sonia Delaunay – Yellow Nude, 1908.

Intuição nos processos criativos

Intuição nos processos criativos

Já há algum tempo trabalhando com criação, percebo a repetição de soluções pré-estabelecidas por fatores diversos como resposta a problemas de clientes. Aquela famosa solução rápida que o marketing do produto gosta, o cliente aprova, mas nós, como criadores, ficamos com aquela sensação de “serviço mal-feito”, ou de “eu podia fazer melhor”.

Por outro lado, me deparo com este vídeo maravilhoso da Fayga Ostrower, que infelizmente não entrou no documentário Janela da Alma, explicando que os processos criativos partem da intuição, até mesmo os mais racionais, porque o artista em si é intuitivo.

Obviamente, como nossa cultura é tecnicista, e a técnica é sempre exaltada como a maior qualidade em qualquer obra, muitas vezes sinto falta da espontaneidade na escolha das cores, formas e até mesmo em resultados mercadológicos, porque até estes resultados baseados em pesquisas e sistemas lógicos podem dar com os burros n’água.

Eu uso minha intuição para analisar uma obra artística de qualquer tipo. Essa linguagem é humana, vem de fábrica, mas é tolhida com o tempo. Por isso dizem tanto que o adulto criativo é a criança que sobreviveu: a intuição tranborda para o seu trabalho.

Vejam Fayga, ou leiam o livro “Criatividade e Processos de Criação” de sua autoria, que também é excelente.
Imagem: 7502, serigrafia em papel, de Fayga Ostrower – 1975. Deste site.

Dream On

Dream On

Akira Kurosawa é um dos meus diretores favoritos, na escolha dos temas e maestria nos enquadramentos, que praticamente se parecem com pinturas em qualidade e beleza. Como tenho lido muito sobre sonhos e o inconsciente, me vieram à memória imagens do filme “Dreams”, de 1990.